27/03/2025

BELO HORIZONTE – A Associação Nacional de Empresas de Biotecnologia e Ciências da Vida (ANBIOTEC Brasil) encaminhou, nessa quarta-feira (26), um conjunto de propostas para o Plano Plurianual (PPA) Participativo 2024-2027 do governo federal, por meio do Ministério de Planejamento e Orçamento.

A pedido da Secretaria Nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República (SNPS/SG/PR) e repassado pela Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), a ANBIOTEC Brasil recebeu o convite para integrar as edições do Fórum Interconselhos, formado por conselheiros e conselheiras da sociedade civil representantes de Conselhos e Colegiados nacionais com participação social.

Entenda o que é o PPA

O Plano Plurianual (PPA) é o principal instrumento de planejamento estratégico do governo federal, orientando as ações administrativas do Poder Executivo para o futuro. Ele estabelece objetivos e programas que visam investimentos em diversas áreas econômico-sociais do país, servindo de base para análise e execução de projetos.

O sistema de acompanhamento do PPA é atualizado periodicamente com novas ferramentas para manter práticas de monitoramento eficazes. Uma das novidades é a inclusão da autoavaliação, que visa aprimorar a eficácia do plano.

Associados da ANBIOTEC Brasil propuseram instrumentos adicionais, como objetivos, entregas, medidas institucionais e normativas. O objetivo é garantir que o PPA continue relevante e eficaz, abrangendo um leque maior de pautas de interesse dos setores de biotecnologia e ciências da vida.

Dentre os temas centrais previstos pelo PPA, estão:

Eficácia e relevância

Para a presidente-executiva da ANBIOTEC Brasil, Vanessa Silva da Silva, a inclusão de instrumentos adicionais, como objetivos claros, entregas mensuráveis e medidas institucionais e normativas, é fundamental para a eficácia e relevância do PPA.

“As contribuições de nossas empresas associadas irão fortalecer o monitoramento e a avaliação do Plano, aprimorando os investimentos públicos em tecnologia e inovação, atendendo assim às necessidades do país e trazendo maior e melhor qualidade de vida à população brasileira”, diz.

Um dos objetivos das contribuições é de pavimentar o futuro de apoio ao desenvolvimento dos setores de biotecnologia e ciências da vida. Crédito da imagem: Ministério da Saúde.

Confira, abaixo, a lista completa de contribuições elencadas e enviadas ao Ministério de Planejamento e Orçamento:

Programa 2324 – Inovação nas Empresas para uma Nova Industrialização

Medida Institucional do Programa: Implantação de sistemática de monitoramento de inovação e uso de tecnologia desenvolvida no país com interação com ICTs pelo setor produtivo

Programa 2801 – Neoindustrialização, Ambiente de Negócios e Participação Econômica Internacional

Objetivo Específico 0541 – Promover a melhoria do ambiente de negócios por meio do aperfeiçoamento do sistema regulatório nacional

Contribuição da ANBIOTEC Brasil: 

Programa 3105 – Portos e Transporte Aquaviário

Contribuição da ANBIOTEC Brasil:

Programa 5118 – Atenção Especializada à Saúde

Objetivo Específico 0470 – Reduzir as filas de espera de procedimentos eletivos de atenção especializada em saúde, visando promover a ampliação de acesso em tempo oportuno.

Contribuição da ANBIOTEC Brasil: Especial ênfase na questão do diagnóstico precoce, como forma de redução nos gastos públicos, com:

Programa 5120 – Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação, Produção e Avaliação de Tecnologias em Saúde

Contribuição da ANBIOTEC Brasil:

Fomento para pesquisa clínica no país, reduzindo o tempo no seu desenvolvimento e abastecendo a sociedade com soluções inovadoras, em prazos mais adequados às necessidades da população brasileira.

Uma grande dificuldade para o desenvolvimento de testes para diagnóstico no Brasil é a dificuldade na captação de amostras biológicas por parte das empresas desenvolvedoras de produtos, para que sejam utilizadas em testes e desenvolvimento de produtos.

Tais amostras podem ser obtidas por instituições públicas e privadas que realizam exames laboratoriais, como amostras de sangue, urina, dentre outros.

As amostras captadas por estas instituições e que são descartadas após a realização do exame poderiam ser fornecidas às empresas desenvolvedoras de testes de diagnóstico e reagentes de laboratório.

A proposta é estabelecer ferramentas regulatórias para que o fornecimento de amostras biológicas para empresas desenvolvedoras de produtos possa ser facilitado e conhecido pelas entidades.

Contribuição ANBIOTEC Brasil:

Sugerimos que a RNLSP adote a produção sob demanda de kits moleculares por empresas nacionais, inclusive com protocolos próprios da rede. Isso viabiliza a padronização entre laboratórios, reduz custos e elimina a dependência de insumos importados.

A fabricação local utiliza o parque industrial já instalado, com logística eficiente e compras públicas sob demanda. A medida fortalece a autonomia da RNLSP e a resposta estratégica do país em vigilância laboratorial.

Sugerimos incluir a atuação da indústria nacional de IVD no fornecimento de testes para diagnóstico e monitoramento pré e pós-tratamento em pessoas vivendo com HIV/AIDS. Esses testes permitem avaliar a efetividade das terapias antirretrovirais, detectar falhas precocemente e apoiar auditorias dos programas públicos.

Benefícios da produção local: A produção local garante abastecimento contínuo, redução de custos e soberania diagnóstica. A testagem de acompanhamento fortalece o cuidado longitudinal e a assertividade das ações de tratamento no SUS.

Sugerimos incluir a participação da indústria nacional de IVD no fornecimento de testes para confirmação diagnóstica e monitoramento pós-tratamento da tuberculose, inclusive com detecção de cepas resistentes.

Benefícios da testagem: A testagem no início e após o tratamento permite verificar a efetividade terapêutica, identificar casos não curados e apoiar a vigilância da resistência. 

A produção nacional garante escalabilidade, custo reduzido e continuidade no fornecimento.

Sugerimos viabilizar a aquisição, via compras públicas, de testes rápidos e ELISA para hepatite C desenvolvidos e produzidos por indústrias nacionais de IVD.

Benefícios da ampliação do acesso ao diagnóstico: A ampliação do acesso ao diagnóstico é essencial para vincular pacientes ao tratamento e garantir a efetividade da política de eliminação da hepatite C.

Sugerimos que a entrega contemple a aquisição em larga escala de testes rápidos e laboratoriais produzidos por indústrias nacionais de IVD, garantindo cobertura diagnóstica contínua para gestantes e recém-nascidos.

Benefícios da testagem ampla: O estímulo à produção e compra nacional fortalece o acesso ao diagnóstico oportuno, essencial para atingir a meta de eliminação da transmissão vertical.

Programa 5123 – Vigilância em Saúde e Ambiente

Objetivo Específico 0486 – Fornecer imunobiológicos de responsabilidade do Ministério da Saúde, conforme demanda estimada. 

Contribuições da ANBIOTEC Brasil:

Medidas Institucionais

Medida Institucional 02 – Agenda político-estratégica para doenças de determinação social.

Contribuição ANBIOTEC Brasil: Incluir, na agenda, o fortalecimento da capacidade nacional de diagnóstico por meio de parcerias com empresas brasileiras de IVD.

Medida Institucional 04 – Agenda estratégica contra desigualdades regionais

Propomos que a agenda estratégica a ser instituída inclua o reconhecimento e fortalecimento da capacidade nacional de produção de testes diagnósticos in vitro (IVD) como elemento fundamental para reduzir as desigualdades regionais em saúde.

O acesso ao diagnóstico é um dos principais gargalos enfrentados em regiões historicamente negligenciadas. Doenças como hanseníase, leishmaniose e tuberculose continuam com elevada prevalência nesses territórios, onde o acesso à confirmação laboratorial ainda é limitado.

Empresas brasileiras de médio porte podem atuar como parceiras estratégicas para ampliar o alcance diagnóstico nessas regiões, oferecendo:

Sugerimos a inclusão da seguinte diretriz na agenda: “Promover o desenvolvimento e a incorporação de soluções diagnósticas nacionais como estratégia para ampliar a atenção à saúde e a vigilância em territórios com maior vulnerabilidade epidemiológica.”

Ao integrar o setor produtivo nacional de diagnóstico in vitro às ações estratégicas do SUS, o governo federal reforça o compromisso com a equidade, a soberania sanitária e o cuidado territorializado, ampliando o impacto positivo das políticas públicas em saúde.

Contribuição ANBIOTEC Brasil: Considerando o objetivo da entrega de reduzir os casos autóctones de malária por Plasmodium falciparum na região amazônica, sugerimos que sejam incorporadas, entre as estratégias de enfrentamento, ações voltadas para o fortalecimento da testagem descentralizada e imediata, com a utilização de testes rápidos (TR-DLA) baseados em imunocromatografia lateral flow para detecção específica de P. falciparum. Recomendamos que o item seja incluído como insumo estratégico de diagnóstico, com previsão de aquisição pública e inserção no rol de tecnologias facilitadoras da entrega.

Testes rápidos com essa tecnologia possibilitam:

Empresas brasileiras de médio porte com expertise em diagnóstico in vitro possuem capacidade tecnológica e produtiva para o fornecimento nacional desses testes, com escalabilidade e garantia de abastecimento contínuo. A priorização de fornecedores nacionais também fortalece a soberania sanitária e a sustentabilidade do SUS.

Proposta de texto complementar à entrega: “Expandir o acesso a diagnóstico rápido específico de P. falciparum, por meio da aquisição e distribuição de testes rápidos baseados em tecnologia lateral flow, produzidos por fornecedores nacionais habilitados, assegurando testagem oportuna em áreas endêmicas da região amazônica.”

Essa medida amplia a capacidade de resposta do sistema de saúde local e atua diretamente na meta de redução de casos autóctones, especialmente ao possibilitar diagnóstico em tempo real e início precoce do tratamento.

Doenças como hanseníase, AIDS, leishmaniose, sífilis, doença de Chagas, tuberculose, hepatites virais e outras de determinação social enfrentam barreiras estruturais ao diagnóstico precoce.

A inclusão estratégica de soluções diagnósticas rápidas, acessíveis e sensíveis pode contribuir para a melhoria da saúde pública no Brasil.

Recomendamos a inclusão da seguinte diretriz na Agenda: “Incentivar e estruturar parcerias com o setor produtivo nacional, especialmente empresas de diagnóstico in vitro, para o desenvolvimento e fornecimento de tecnologias diagnósticas voltadas à vigilância, prevenção e resposta às doenças de determinação social, com foco em soluções adaptadas ao território brasileiro.”

Ao articular o complexo econômico-industrial da saúde com a política intersetorial de enfrentamento às iniquidades sociais, o governo promove respostas mais eficazes, sustentáveis e territorialmente sensíveis, em consonância com os princípios do SUS e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para ampliar de forma sustentável e estratégica a capacidade de diagnóstico molecular da RNLSP, sugerimos que a entrega considere a parceria com empresas nacionais de diagnóstico in vitro (IVD) com capacidade técnica e regulatória para a fabricação sob demanda de kits moleculares.

Essa abordagem proporciona múltiplos benefícios, incluindo:

A inclusão dessa diretriz contribuirá para transformar a RNLSP em uma rede mais responsiva, padronizada e autônoma, além de estimular a inovação e o fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde.

Proposta de diretriz complementar: “Fomentar parcerias com empresas nacionais de diagnóstico in vitro para a produção sob demanda de kits moleculares, com base em protocolos próprios da RNLSP ou de interesse estratégico.”

Com essa medida, a entrega 1675 contribui não apenas para a ampliação da capacidade instalada, mas também para a consolidação da RNLSP como um instrumento estratégico da vigilância laboratorial em saúde pública no Brasil.

Sugerimos incluir o fomento ao desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas por empresas nacionais de IVD de médio porte, com fortalecimento da produção local, inclusive de insumos críticos. A produção nacional permite testagens rápidas, sensíveis e adaptadas ao território brasileiro, com logística eficiente e menor custo.

Recomendamos que as compras governamentais priorizem testes desenvolvidos e fabricados no Brasil, estimulando inovação, segurança sanitária e acesso ao diagnóstico para populações vulneráveis, reduzindo a incidência dessas doenças de determinação social.

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